A Atuação da Enfermagem no Controle da Hanseníase
Da Identificação Precoce ao Manejo de Casos Complexos
Palavras-chave:
Hanseníase, Cuidados de Enfermagem, Atenção Primária à SaúdeResumo
Introdução: A hanseníase, patologia infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium leprae, persiste como um severo desafio de saúde pública global, figurando o Brasil entre as nações com maior carga da doença. O caráter endémico e o potencial para sequelas neurais demandam intervenções robustas, sendo o diagnóstico precoce e a prevenção de incapacidades físicas (PIF) pilares fundamentais para a interrupção da cadeia de transmissão. A Unidade Básica de Saúde (UBS) configura-se como a porta de entrada preferencial para o manejo da patologia, cenário onde a Enfermagem desempenha papel preponderante na Atenção Primária à Saúde (APS). Todavia, a resolutividade das ações é frequentemente cerceada por fragilidades estruturais, escassez de insumos específicos — como os monofilamentos de Semmes-Weinstein —, lacunas na formação académica e o persistente estigma social. O diagnóstico tardio, nestes contextos, evidencia vulnerabilidades no cuidado e na prevenção de agravos. Objetivo: Analisar a atuação da Enfermagem no controle da hanseníase, com ênfase na gestão do cuidado, na prevenção de incapacidades, no diagnóstico precoce e na organização dos serviços no âmbito da APS. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada nas bases de dados LILACS, BDENF e em Repositórios Institucionais. A estratégia de busca empregou os descritores controlados "Hanseníase", "Atenção Primária à Saúde" e "Cuidados de Enfermagem". Os critérios de inclusão compreenderam o recorte temporal de 2015 a 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. A amostra final foi composta por dez artigos de diversas abordagens metodológicas. Resultados e Discussão: Os achados ratificam o protagonismo do enfermeiro na vigilância epidemiológica e nas ações profiláticas. Entretanto, persistem barreiras na detecção precoce, refletidas pelas elevadas taxas de incapacidade física no momento do diagnóstico. A análise situacional das UBS revelou um défice de estesiómetros, o que compromete a fidedignidade da avaliação neurológica simplificada. Adicionalmente, identificou-se uma insegurança técnica entre os profissionais no exame clínico, frequentemente associada a fragilidades no processo de formação e na educação continuada. No espectro sociocultural, o estigma e as crenças místico-religiosas ainda configuram obstáculos à adesão terapêutica; contudo, estratégias de Educação Permanente em Saúde e abordagens lúdicas revelaram-se eficazes na mitigação desses entraves. Conclusão: A atuação da Enfermagem é imperativa para o controle da hanseníase, embora seja condicionada por limitações estruturais e lacunas formativas. A superação desses desafios requer investimentos em recursos materiais na APS e o fortalecimento de competências clínicas por meio da Educação Permanente, visando transpor barreiras sociais e garantir a integralidade do cuidado.
