Tendência Temporal e Indicadores Operacionais da Hanseníase no Piauí
Uma Análise de Dados de Notificação (2018–2025)
Palavras-chave:
Hanseníase, Vigilância Epidemiológica, PiauíResumo
Introdução: A hanseníase configura-se como um persistente desafio de saúde pública no Piauí, estado historicamente classificado como hiperendêmico. Além da detecção precoce, a monitorização sistemática de indicadores operacionais, como as taxas de cura e de abandono, constitui um instrumento estratégico para avaliar a resolutividade terapêutica e a interrupção da cadeia de transmissão. Objetivo: Analisar os indicadores de cura, abandono e pendências de encerramento de casos novos de hanseníase notificados no Piauí entre 2018 e 2025. Metodologia: Estudo epidemiológico, descritivo e retrospectivo, com abordagem quantitativa baseada em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). Foram calculadas as taxas de cura e abandono, além do percentual de casos com desfecho clínico não preenchido. Resultados e Discussão: Identificaram-se 5.916 casos novos. A taxa geral de cura foi de 67,95% (4.020 casos) e a de abandono de 3,45% (204 casos). Destaca-se o elevado percentual de casos com o campo "modo de saída" não preenchido (18,56%), evidenciando lacunas na completitude dos dados e na vigilância longitudinal. A regional de saúde de Cocais apresentou o melhor desempenho operacional (78,40% de cura). Apesar do baixo abandono, o estado mantém-se aquém da meta ministerial de 90% de cura. Conclusão: Conclui-se que, embora o abandono seja reduzido, a taxa de cura permanece abaixo dos parâmetros recomendados. O índice expressivo de dados pendentes reforça a urgência de qualificar a vigilância epidemiológica para assegurar o controle efetivo da patologia no estado.
