Perfil Epidemiológico e Tendência Temporal da Hanseníase no Piauí
Análise do Período 2015-2024
Palavras-chave:
Mycobacterium leprae, Notificação de doenças, Saúde públicaResumo
Introdução: A hanseníase permanece como um relevante problema de saúde pública no Piauí, estado caracterizado pela elevada endemicidade e por desafios persistentes no controle da transmissão. Causada pelo Mycobacterium leprae, a patologia exige vigilância contínua para evitar diagnósticos tardios e incapacidades físicas. A análise de séries temporais constitui uma ferramenta essencial para avaliar o impacto de eventos externos — como a pandemia de COVID-19 — sobre a capacidade diagnóstica da rede estadual. Objetivo: Analisar a tendência temporal e a distribuição municipal dos casos de hanseníase notificados no Piauí entre 2015 e 2024. Metodologia: Estudo epidemiológico descritivo, de abordagem quantitativa, realizado com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/DATASUS). A coleta ocorreu em dezembro de 2025. As notificações foram analisadas por município de residência e ano de diagnóstico, com cálculo de frequências e variações percentuais. Resultados e Discussão: Registraram-se 10.390 casos no período. O pico ocorreu em 2017 (1.334 notificações), seguido por uma queda acentuada em 2020 (706 casos), o que representa uma redução de 47%. Este declínio coincide com a fase crítica da pandemia, sugerindo subnotificação por isolamento social e redirecionamento da Atenção Primária. Entre 2021 e 2024, as notificações estabilizaram-se (média de 900 casos/ano), patamar ainda inferior ao pré-pandémico. Teresina concentrou a maior carga (3.276 casos), seguida por Parnaíba (481) e Floriano (406), reiterando a prevalência em pólos urbanos. Conclusão: A hanseníase mantém circulação significativa no estado. A redução artificial de notificações na pandemia indica uma carga oculta da doença e risco de aumento em casos com sequelas. Urge fortalecer a busca ativa e a educação em saúde para retomar a detecção precoce.
